A quebra de patente de medicamentos

•30/04/2009 • 1 Comentário

Em 2007, o Governo Federal quebrou a patente do medicamento Efavirenz, o remédio mais usado no combate ao vírus HIV. Esta decisão garante uma redução de cerca de 72% no preço pago pelo do remédio.

O Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, para justificar a medida, enfrentada como uma manobra política contrária às medidas estratégicas de incentivo à inovação viabilizadoras um complexo produtivo da saúde, disse que o licenciamento compulsório foi decretado com a finalidade de tornar os medicamentos acessíveis ao povo brasileiro.

A licença compulsória implica na quebra da patente de um determinado medicamento, no caso em questão, o Efavirenz, produzido por um laboratório norte-americano e que integrava a lista dos medicamentos do coquetel anti-AIDS que ainda são importados pelo governo. Isto quer dizer que agora o Brasil pode importar medicamentos genéricos, produzidos em outros países, por outros laboratórios, mas com preços sensivelmente mais acessíveis. Entretanto, a licença não permite que o medicamento seja produzido para revenda, ou seja, veta o uso comercial do produto.

O governo brasileiro comprava o Efavirenz, que vem substituindo o AZT entre pacientes com Aids, a US$ 1,59 do laboratório norte-americano, detentor da patente. Agora, paga US$ 0,44 de um laboratório da Índia.

Se considerarmos que os usuários do anti-retroviral Efavirenz fazem uso contínuo do medicamento, que a sua interrupção pode ocasionar graves e irreparáveis danos, considerando ainda o alto preço praticado pelo laboratório detentor da patente dificulta o seu acesso, e, por fim, a hipossuficiência da maioria dos pacientes, é inegável que alguma medida deveria ser tomada.

Mas, apesar de bem intencionada e seguir as normas estabelecidas em acordos internacionais como o Trips, da Organização Mundial do Comércio (OMC) – que reconhece o direito de propriedade intelectual de produtos como fármacos, tal medida é contrária à atual política adotada pelo Brasil, de incentivo às pesquisas científicas e inovação, a fim de criar um complexo industrial da saúde no país.

Embora contrárias, as medidas visam a economia e maior acesso aos medicamentos, garantindo assim a saúde, que é direito de todos e dever do Estado, como prevê o art. 196 da CF. Todavia, ambas devem ser tomadas com cautela, pois qualquer manobra que favoreça a importação de medicamentos, como a licença compulsória, pode frustrar a viabilidade dos investimentos externos que os laboratórios nacionais recebem para fabricar ou desenvolver medicamentos de ponta.

Pode até ser que quebrar a patente do Efavirenz tenha sido a medida mais rápida e eficaz encontrada pelo Governo para reduzir despesas, uma vez que tal medicamento anti-retroviral é de suma importância e sua a interrupção acarreta efeitos gravíssimos, e assim sendo, a licença compulsória irá baratear seu custo e dar maior acessibilidade ao tratamento médico.

Contudo, a quebra de patente de outros medicamentos, como o Presidente chegou a cogitar, representa uma grave ameaça aos incentivos que os laboratórios nacionais recebem. É válido salientar que a indústria farmacêutica privada é hoje o setor que lidera a inovação mundial, e portanto, merecedor de estímulos que colaborem com o progresso industrial e tecnológico.

Ao meu ver, a solução é conciliar os interesses de reduzir gastos de imediato com os de incentivar a capacitação tecnológica e industrial a longo prazo. Verificando esta máxima, as manobras políticas decorrentes de dificuldades de gestão e impulsionadas pela pressão social, serão incapazes de atingir as medidas igualmente políticas, mas assecuratórias da garantia constitucional do direito à saúde, tendentes a solucionar os problemas de produção e o acesso aos medicamentos.

O uso do “Porque”

•28/11/2008 • 1 Comentário

A nossa língua portuguesa nos permite usar 4 tipos de ‘porquês’. Saiba utilizar o porque corretamente, é muito simples. Veja:

 PORQUE - Junto e sem acento

O primeiro PORQUE é uma conjunção causal ou explicativa, com valor aproximado de “pois”, “uma vez que”, “para que”, ou seja, usado quando for uma explicação ou causa.

Exemplo:

Não fui ao cinema porque tenho que estudar para a prova.

Não reclames, porque é pior.
Não vá fazer intrigas porque prejudicará você mesmo.

Faltou à aula porque estava doente.

PORQUÊ - Junto e COM acento

Este segundo porque é substantivo, sinônimo de motivo, razão. Vem acompanhado de artigo, pronome, adjetivo ou numeral. 

Exemplo:

O porquê de não estar conversando é porque quero estar concentrada.

Não sei o porquê disto.
Diga-me um porquê para não fazer o que devo.

POR QUE - Separado e sem acento

O por que tem dois empregos diferenciados:

1 – Quando é a junção da preposição por + pronome interrogativo ou indefinido que tem o significado de “por qual razão” ou “por qual motivo”. Motivo, razão e causa nas frases interrogativas diretas e indiretas.

Exemplo: Por que você não vai ao cinema? (interrogativa direta)
Não sei por que não quero ir. (interrogativa indireta)

2 – Quando é a junção da preposição por + pronome relativo que tem o significado de “pelo qual” e poderá ter as flexões: pelo qual, pela qual, pelos quais, pelas quais.

Exemplo:

Sei bem por que motivo permaneci neste lugar.

São muitos os lugares por que passamos.

 

POR QUÊ - Separado e COM  acento

Usado ao final de frase interrogativa. O que torna-se tônico, justificando, pois, a presença do acento gráfico.

Quando vier antes de um ponto, seja final, interrogativo, exclamação, o porquê deverá vir acentuado e continuará com o significado de “por qual motivo”, “por qual razão”.

Exemplos:

Vocês não comeram tudo? Por quê?

Andar cinco quilômetros, por quê? Vamos de carro.

 

 

 

·          Fontes:

Gramática – Teoria e exercícios. PASCHOALINI & SPADOTO

Gramática – Brasil Escola – Sabrina Vilarinho

Aos meus amigos

•25/08/2008 • 1 Comentário

Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos.
Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano,
enfim… do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar quem sabe…… nos e-mails trocados.
Podemos nos telefonar conversar algumas bobagens….
Aí os dias vão passar, meses…anos… até este contato tornar-se cada vez mais raro.
Vamos nos perder no tempo….Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão? Quem são aquelas pessoas?
Diremos…Que eram nossos amigos. E…… isso vai doer tanto!
Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente……
Quando o nosso grupo estiver incompleto… nos reuniremos para um ultimo adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos.
Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado.
E nos perderemos no tempo…..
Por isso, fica aqui um pedido desta humilde amiga: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades….
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus
amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

Fernando Pessoa